segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

RENÉ A. SCHWALLER DE LUBICZ NA BIBLIOTECA DO GATO


Isha Schwaller de Lubicz : CONTRIBUTO À INICIAÇÃO



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ESSE GRANDE MISTÉRIO DA PALAVRA MISTÉRIO: GUIÃO DE ESTUDO, LEITURA (CRÍTICA) E TRABALHO

Paço de Arcos, 20/ 6/1997 - A coberto da palavra «mistério» - mistérios de Elêusis, mistérios de Mênfis, mistérios órficos (Grécia), - tudo se tem dito da iniciação e da cura iniciática. Tudo, menos o que interessava dizer para colocar a iniciação acessível a toda a gente que o queira.
Os ilustres investigadores, baseados em supostas fontes históricas, levam, regra geral, ao delírio, as fantasias e as invenções em torno do tema sempre querido das técnicas iniciáticas.
Secretismo e simbolismo podem, como se sabe, dar lugar a todas as libertinagens de imaginação.
O mistério - esse ar misterioso da palavra mistério ... - implica segredo e revelar segredos, zelosamente guardados em cofres fortes ou em arcas perdidas, com todo o romanesco e pitoresco inerente, é sempre uma proeza que exalta quem a pratica, arqueólogo, cineasta, antropólogo ou jornalista.
Se até os jornalistas gostam de revelar segredos, porque não hão-de gostar os autores que falam dos secretismos maçónicos?
Um dos exemplos mais flagrantes é dado por um tal doutor Vassal, num «Cours Complet de Maçonnerie ou Histoire Générale de l'Initiation» (Paris, 1832), onde larga e minuciosamente, se descrevem «rituais» que, supostamente herdados de egípcios, gregos e romanos, seriam praticados em colégios de iniciados, nomeadamente maçónicos.
Tal como certos jornalistas inexperientes, jamais o dr. Vassal põe a questão de ter sido ludibriado pelas suas fontes. O esquema de rituais que ele apresenta serve ainda hoje de inspiração a vários grupos maçónicos, que medem a autenticidade das suas iniciações pelo número de graus que o neófito tem de passar, coitado dele, para ficar energetica e exactamente na mesma ou pior do que estava antes de atingir o primeiro grau da escala...
Se compararmos o que o Dr. Vassal descreve com o que Isha Schwaller de Lubicz relata em «Her-Bak «Disciple» », algum deles deve estar equivocado (na eventualidade de não estaram os dois), pois quase nada das 2 exposições coincide.
Campo vasto para exercer a imaginação, as técnicas de iniciação permanecem de facto o mistério que os secretismos e hermetismos quiseram fazer dela.
Um caminho para ultrapassar esta inultrapassável dificuldade foi desenhado por Etienne Guillé, com o seu método profano de acesso ao sagrado.
Tem toda a lógica a démarche de Guillé e os seus resultados, ao contrário das técnicas usadas por maçónicos e outros iluminados, têm possibilidade de ser constantemente aferidos e avaliados nos seus resultados.
Com o pêndulo de radiestesia, é possível medir de que modo a iniciação está contribuindo, de facto, para o resultado final que afinal se espera de uma iniciação: no mínimo, uma evolução espiritual ou elevação do nível vibratório de consciência.
Como se pode verificar, pelo enunciado dos (inúmeros) factores sine qua non de iniciação, começa a compreender-se porque foi a iniciação tão admirada, perseguida e ocultada.
É de notar que a Nova Era Zodiacal (vibrando Fi 31) relativiza as longas especulações que se têm produzido sobre ocorrências e informações que foram emitidas durante os 25800 anos da era zodiacal dos Peixes.
Todas as informações sobre iniciação derivam dessa era e são portanto suspeitas de inquinação malévola...
A marca da era zodiacal dos Peixes é visível, por exemplo, na informação até hoje divulgada sobre a forma como as provas iniciáticas eram praticadas nos colégios de mistérios, conforme a exumação a que procede o já referido Dr. Vassal, no seu «Cours Complet de Maçonnerie ou Histoire Génerale de l'Initiation», Paris, 1832.
Se cada era zodiacal dura o que astrónomos e astrósofos têm dito - mais ou menos 25.800 anos , tudo o que se passa dentro dessa era tem um certo ar de família por mais diferenças que se julgue haver.
E nas técnicas de iniciação, esse ar de família é mesmo um facto.
Mas para chegar até à informação primordial - a única que pode conduzir a uma verdadeira iniciação - outros obstáculos, de origem cósmica e humana, além da era zodiacal, se colocam no caminho do investigador.
Falando só dos maiores, temos:
- A Queda citada no Velho e no Novo Testamento (Lamentações1:7; Mateus 7:27)
- O incêndio da Biblioteca de Alexandria (primeiros anos da era cristã, pouco antes do vandalismo árabe e bastante antes do vandalismo romano...)
- A viragem de canal cósmico (em data remota ainda não referenciada).

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

KI DA VIDA: O PRIMEIRO E ÚLTIMO SUSPIRO


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O RELÓGIO DOS ÓRGÃOS (*)

A raiz da vida, do nascimento e da mudança está no Ki.
O Ki flui pelos meridianos, tal como a água corre pelo leito de um rio e o impulso nervoso pelos nervos.
O Ki activa todos os processos do corpo: a circulação do sangue, a distribuição dos fluidos na pele, a carne, as articulações, as articulações, os ossos, o tubo digestivo, o suor, a urina, etc

A energia Ki circula em cerca de 68 meridianos, assim classificados:
12 principais
12 transversais e longitudinais
12 tendino-musculares
12 distintos
8 curiais.
Há quem compare este conjunto a um circuito electrónico que auto-regula a energia em cada rede. Há quem compare este conjunto a uma rede hidráulica.
Existem ainda os chamados «vasos maravilhosos», canais de transbordo, nos quais se verte a energia em excesso em todo o sistema.
Ao conjunto de órgãos/meridianos, com fases de máxima e fases de mínima energia, ao longo das 24 horas do dia solar, podemos chamar «relógio dos órgãos» ou «relógio biológico».
Se começarmos pelo primeiro sopro de vida que é insuflado no ser humano, ao nascer, podemos considerar que o ciclo solar da energia ou relógio dos órgãos, começa com o Pulmão e termina no Fígado, recomeçando outra vez pelo Pulmão e sempre assim até à morte - ou quando o ser humano exala o «último suspiro».
Cada órgão recebe uma onda de energia que dura 2 horas, passando depois a uma gradual diminuição.
Pela seguinte ordem: Pulmão -> Intestino Grosso -> Estômago -> Baço/Pâncreas -> Coração -> Intestino delgado-> Bexiga -> Rins -> Mestre do Coração ou Pericárdio -> triplo >Aquecedor ou Triceps> Vesícula-> Fígado -> Pulmão ...
Se se trata de aplicar agulhas de acupunctura recomenda-se tonificar nas 2 horas seguintes às de máxima energia do respectivo meridiano e dispersar nas duas horas de máxima energia do mesmo meridiano.
Outros autores dizem que os órgãos yin reagem melhor na hora do dia em que estão mais activos e os órgãos Yang reagem melhor na hora do dia em que estão mais activos.
Como a acupunctura designa de órgãos yin os órgãos yang (compactos) e de órgãos yang os órgãos yin (ocos), está aqui uma boa maneira de confundir as artes.
(Ver os pontos a tonificar e a dispersar no quadro anexo).
Podemos considerar, no relógio dos órgãos, dois grupos de meridianos/órgãos:
1 - São os meridianos que circulam na face externa e posterior dos membros e do trinco.
Este grupo corresponde aos órgãos (ocos) que se ocupam das relações com o exterior e que se designam por «órgãos oficina», porque transformam a energia de absorção em energia circulante.
São órgãos ocos: Intestino Delgado, Intestino Grosso, Bexiga, Estômago, Vesícula Biliar.
2 - São os meridianos que circulam na face interna e anterior dos membros e do tronco. Chamem-se «órgãos tesouro», porque correspondem à elaboração, à conservação e à distribuição da energia.
São órgãos compactos ou parenquimatosos: Baço, Pâncreas, Coração, Fígado, Rins.

No relógio dos órgãos, a energia passa de um meridiano a outro pelas extremidades: sai por um ponto de saída para penetrar pelo ponto de entrada no meridiano seguinte.
Além destes pontos, existem os chamados pontos LO, que deixam passar a energia de um meridiano a outro pelos vasos secundários.
Por estes pontos LO, a energia verte o seu excedente em outro meridiano, por meio de um mecanismo semelhante ao dos vasos comunicantes.

Autores como Borsarello consideram a circulação de energia ao longo das 24 horas em 4 alíneas:
Circulação meia-noite/meio-dia (já descrita)
Circulação pelas vias LO
Circulação Mãe-Filho
Circulação Mãe-Filho
Outros autores consideram 3 tipos de circulação:
a) O circuito começa no peito com o meridiano dos Pulmões, que termina nas mãos onde começa o meridiano do Intestino Grosso, que vai até à cabeça onde se liga ao meridiano do Estômago, que no seu término na região dos pés comunica com o meridiano do Baço/Pâncreas, o qual se dirige então de volta ao peito, completando assim este ciclo, circuito ou circulação.
b) Um segundo ciclo inclui os meridianos do Coração, Intestino Delgado, Bexiga e Rins.
c) Um terceiro ciclo inclui os meridianos Circulação-Sexo, Triplo Aquecedor, Vesícula Biliar e Fígado, que ao terminar no peito completa o circuito, ciclo ou circulação, ligando-se ao meridiano dos pulmões.
Em cada meridiano existem pontos-fonte:
ponto de tonificação
ponto arauto
ponto de assentimento
ponto mestre

«O Ki da verdade está na origem de tudo.
«O Ki do céu penetra através do nariz, controlado pela traqueia.
«O Ki da água e do alimento entra no estômago, controlado pelo esófago.
«O Ki de um céu anterior (prénatal) alimenta o feto: o recém nascido enche-se do ki de um céu posterior (pósnatal).
( Zangshi Leijing)
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(*) Bibliografia consultada:
«Memorandum de la Acupunctura», Fermin Cabal, Editorial Cabal, Madrid, 1978
«A Acupunctura e o Ocidente», J. Borsarello, Ed. Aster,

KONRAD LORENZ: A IDEOLOGIA DA CIÊNCIA



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A MANIPULAÇÃO DO HOMEM PELO HOMEM E SEUS FILÓSOFOS
O PAPEL DA IDEOLOGIA ECOPOLÍTICA NA VIOLÊNCIA CONTEMPORÂNEA

15/12/1978

Um modesto caderno da Colecção Mini-Ecologia, o número 8 - Movimento ecológico e descolonização cultural, 1975 - permitiu-se dar algumas achegas ao grande tema. Tema que ninguém discute nem gosta de ver discutido. Um dos muitos tabus que inundam a nossa sociedade sem preconceitos...
Se é verdade, como afirma o autor de Politic of Ecology , Peter Weissberg, que não é a ideologia (e a manipulação ideológica) que derrama o petróleo nas oceanos ou extermina espécies animais e vegetais, é verdade que começa e acaba sempre por ser a ideologia que permite, desculpa, justifica, cobre, minimiza, manipula a opinião pública e a torna dócil, em suma, moraliza esse ou qualquer outro delito ambiental.
Não é a ideologia que directamente mata ou pratica os atentados ambientais.
Mas é a ideologia que os justifica, prepara ou, inclusive, lhes chama benefícios para a humanidade e bênçãos divinas, se isso for necessário. Há sempre um ideólogo de serviço à ilharga de um tecnocrata.
As formas mais grosseiras de manipulação do homem pelo homem - a violência em estado puro - não conseguem os resultados que conseguem as formas mais subtis. Mais científicas. Mais sofisticadas. Mais filosóficas.
Os ideólogos da manipulação perfeita começam, exactamente, por abordar corajosamente o tema e por afirmar uma posição crítica (?) em relação aos abusos da manipulação.
Konrad Lorenz é um dos filósofos e cientistas mais argutos da nossa época. Deram-lhe por isso o Prémio Nobel. Subtilmente, ele foi dizendo, escudado na sua reputação de Etólogo, que os homens são animais... E que a agressividade humana é inata, de constituição biofísica, estrutural: pouco ou nada tem a ver com a luta de classes e suas contradições. Com o ambiente violentógeno.
Ainda hoje não nos apercebemos do alcance e consequências que uma filosofia (tão óbvia) contém. E que serviço ideológico esta ciência presta. E que ilações psicopolíticas se podem ir retirando à medida que forem fazendo falta. Deram-lhe logo o Nobel.
Ao deificar os "mass media" e a manipulação de espírito que eles operam, Marshall Mac Luhan foi muito menos fino e subtil: e por isso a sua estrela de profeta do nosso tempo tem ido declinando, enquanto outras sobem.
Herbert Marcuse, por exemplo, prestou muito melhor e mais duradouro serviço ao imperialismo ideológico quando fingiu - sem parecer que fingia - denunciá-lo criticamente, quando entronizou a tese do fatalismo totalitário das democracias, o ciclo fechado do "homem unidimensional», da sociedade totalitária, contrapondo esse fatalismo a um impossibilismo - a Utopia.
Dizendo ao homem que ele estava encerrado, mais fechado ainda o deixava entre o fatalismo e o impossibilismo: Marcuse é afinal o verdadeiro Sade.
Além disso - e já num plano mais visível a olho nu - esgueira-se, subtilmente, da tese marcusiana a variante subtil do que é e não é totalitário, contrapondo-lhe a noção de liberal, democrático.
Enfiando o barrete da tese marcusiana, eis que há o mundo totalitário das hediondas ditaduras e o "mundo livre" das democracias como a americana que, apesar de "fechadas", sempre vão dando uns baldes de plástico nos concursos da TV.
Adolf Portmann vem também, como Konrad Lorenz, da Zoologia e avalia os hábitos humanos observando o comportamento dos animais: Que mal há nisso? Não é afinal e Etologia uma novel ciência, prometedora como todas as novas ciências quando as velhas já estão caducas?
Citando um caso verdadeiramente aberrante de "tecnologias educativas hoje em voga", Adolf Portmann desviando vai do centro a verdadeira questão de fundo.
Escreve ele:
«As concepções unilaterais do nosso processo evolutivo conduzem por vezes a perigosas aberrações da manipulação inicial. Assim, vários adeptos das mais recentes invenções técnicas descobriram que o emprego de aparelhagem moderna permite à criança aprender a ler muito antes do que é habitual. Segundo esta concepção, nunca é demasiado cedo para iniciar a criança no domínio da técnica cultural necessária: a aquisição da cultura. Leio em prospectos que na idade pré-escolar o "programa preparatório da aprendizagem da leitura" por volta dos três a quatro anos, se tornou, uma excelente credencial de capacidade intelectual para o ingresso na escola primária. A aparelhagem era atraente, de modo que os pais não deviam hesitar em enviar os filhos. Eu aconselhá-los-ia antes a hesitar: A técnica cultural atrás referida vai ao encontro da criança muito cedo – quantas vezes demasiado cedo.»

Não direi que Adolf Portmann está a manipular o leitor mas está com certeza a desviá-lo da questão central.
Aberrante não é só - não é principalmente - que tecnocratas da Educação queiram acelerar o ensino da leitura às crianças, servindo-se delas para bater recordes estatísticos.
As tecnologias educativas estão por toda a parte e desde que vários técnicos, revistas, escolas manipularam suficientemente a opinião pública, os audio-visuais (como os testes psicotécnicos) reinam nas escolas. São rotina, voga, moda, progresso. A questão de fundo é porquê o progresso e porque correm todos para ele?
No fundo, o que Portmann critica está conforme esta lógica do progresso: atingir metas, ganhar etapas, conquistar recordes, atingir alvos.
Um filósofo como Portmann está manipulando, na medida em que desfoca o essencial – a questão de fundo – e sobrevaloriza o acessório.
Mas nem só.
Os casos reais de manipulação discricionária - mesmo torcionária - são por Adolf Portmann subtilmente esbatidos fazendo-se crer de que a criança está sujeita - até morrer - ao processo manipulatório que é o processo educativo... Mais uma vez o fatalismo marcusiano como técnica de manipulação filosófica...
As linhas caricaturais com que Aldous Huxley descreve no seu «New Brave World» totalitário as manipulações genéticas e cerebrais, resultam num certo descanso para as manipulações suaves operadas nas nossas democráticas sociedades de bons e brandos costumes.
Até a caricatura serve a ideologia. E serve bem.
F.B. Skinner foi mais explícito e coerente (menos subtil): ele não critica a manipulação, fazendo demagogia com a liberdade. Faz antes, com realismo, da liberdade o mito que ela é, estabelecendo a manipulação como "técnica ao serviço da evolução humana."
Perfeito: é um caso de franqueza filosófica que devemos agradecer. Nem sempre os ideólogos do imperialismo espiritual se comportam de maneira tão evidente, nem mostram tão completamente o jogo.
Nem sequer falta a Skinner o fim de festa funambulesco, o show de toda a boa revista de bulevar.
A Terra da Utopia é para F.B. Skinner o terreno ideal onde vicejará - onde vicejará jamais entenda-se... - a total, totalitária manipulação de muitos por alguns homens-máquinas: os tecnocratas da ideologia (filosofia) manipulatória da manipulação.
Círculo fechado, todos contentes.
Ao lado desta subtil e nobilíssima manipulação de alto nível filosófico- cientifista, positivista, neo-positivista, evolucionista, etc. - bem poucos cuidados já nos deverá dar a - por exemplo - manipulação partidária ou publicitária, de tão grosseiras ambas.
0 futuro é dos subtis.

COMO SAIR DO PESADELO

Se, no conceito de Adolf Portmann, a manipulação é tudo o que condiciona e envolve o indivíduo, então a questão principal não é de minimizar ou subestimar esse condicionamento - inevitável -, esse constrangimento - necessário - mas que meios são colocados à disposição do sujeito para:
compreender até onde e por quem é manipulado;
responder à manipulação;
encontrar os métodos justos de resposta à manipulação, saindo vitorioso dos múltiplos mas ...inevitáveis condicionamentos. Tudo nos condiciona, diria La Palice.
Se o condicionalismo determinante é o sistema cultural - o sistema ideológico ou mitológico - logo se vê que a melhor pedagogia libertadora será a que possibilite uma distanciação possível desses mitos que incorporam a ideologia dominante.
Daí que muitos pensem hoje - e as novas gerações não só o pensaram como o praticaram - que a melhor pedagogia vem de culturas exógenas.
Expondo a cultura vigente a uma contra-prova de culturas exógenas - eis o método higiénico.
Cultura hindú, chinesa, japonesa, budista são algumas das pedagogias que permitem, enquanto termos de comparação, ângulos de análise e visão crítica.
De contrário, as lavagens ao cérebro sucedem-se em cadeia.
E é ver quem mais manipula o outro e pelo outro é manipulado.
Há um ponto decisivo: é o da conversão a um padrão cultural - mitológico - radicalmente diferente.
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(*) Este texto foi publicado na colecção «Mini-ecologia», das edições «Frente Ecológica», num caderno com 100 exemplares de tiragem

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

MICHAEL PAGE: A NATUREZA DO KI

TAO TEH CHING: O MAIOR DOS PEQUENOS LIVROS


lao-tse> segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008


Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.

Fonte deste texto:
http://www.joselaerciodoegito.com.br/site_laotse_bio.htm

Lao Tsé o Pai do Taoísmo

"O Tao é vazio inesgotável
E a fonte do profundo silencio".

LAO TSÉ
Lao Tsé, sem dúvidas, foi um dos mais elevados seres entre os que viveram na terra, tendo legado à humanidade uma obra imortal o Tao Te Ching que atravessou milénios chegando até os nossos dias com o mesmo valor de há 2600 passados. Não se trata de um livro volumoso, pois não é uma obra enciclopédica e sim uma colectânea de 81 pequenos aforismos, mas que representam um imenso manancial da sabedoria comum aos Grandes Mestres da humanidade.

Os ensinamentos de Lao Tsé expressos no Tao Te King representam para o povo chinês aquilo que os ensinamentos de Jesus representa para o mundo ocidental. Por certo o Tao Te Ching e a Bíblia são as duas obras editadas em maior número de volumes e de línguas.

Sabe-se com certeza que Lao Tsé (Lao Tzu) viveu na China, porém há muitas divergências quanto à data exacta. Realmente há dúvida se a data do nascimento de Lao Tzu seja aquela citada pela maioria dos autores, desde que os dados sobre a vida desse Mestre se baseiam em mitos e lendas.
Sobre a infância de Lao Tsé pouco se sabe comprovadamente. Há uma obra chinesa muito antiga chamada Shi Chi (Apontamentos Históricos) que diz que Lao Tsé[1], cujo nome real era Erh Dan Li teria nascido no Sul da China numa região chamada Ch'u, em torno do ano 604 a.C. Além da referida obra pouco se sabe de fonte comprovada sobre sua vida, além dos versos do Tao e Ching. Algumas lendas atribuem haver ele nascido entre 600 e 300 a.C.

Dizem os mitos que Lao Tzu tinha uma personalidade marcante e dotada de grande afabilidade e inteligência e que recebeu tudo o que o seu pai poderia oferecer-lhe em conhecimentos. Por sua dedicação aos estudos e pelo carisma que detinha, lhe foi facilitado o ter se tornado discípulo de grandes mestres de sua época.

Todos os mitos dizem Lao Tsé haver sido um ser excepcional e até mesmo existe uma lenda que diz haver ele sido "concebido imaculadamente por uma estrela cadente" e permanecido no ventre materno por 62 anos, até que surgiu na terra no ano 604 a.C. já com a cabeleira branca.

Fontes confiáveis atribuem a Lao-Tsé a missão de haver sintetizado o Monismo numa doutrina que recebeu o nome de Taoísmo, em parte numa obra milenar conhecida pelo nome de Tao Te Ching.

De acordo com a tradição, Lao Tsé foi contemporâneo de Kung Fu Tsé (Confúcio) de quem foi discípulo de Confúcio após haver vivido na China durante 80 anos se dirigiu para o Tibet tendo antes deixado um pequeno livro, o Tao Te Ching que haveria de se constituir a síntese do pensamento Monista Chinês.

Não há bastante evidência histórica de alguém de grande influência que haja vivido na China com o nome de Lao Tzu no 6º século a.C., porém há registos históricos (Shih-chi) de Suma Ch'ien do 2º século a.C. que citam um arquivista do Tribunal de Tribunal de Chou e que pessoalmente instruíra Kung Fu Tzu (Confúcio). Mas essa afirmação é incompatível com outras crónicas que datam a morte de Lao Tzu meio um século antes do nascimento de Confúcio.

De acordo com a Tradição, Lao Tzu foi o guardião dos arquivos do tribunal imperial e que aos oitenta anos partiu para a fronteira ocidental de China, onde é agora o Tibete, entristecido e desiludido com as pessoas que estavam pouco dispostas a seguirem o caminho da bondade natural.

Entre os autores chineses há também aqueles que dizem que Lao Tsé se tornou o guardião dos Arquivos Imperiais de Loyang (província chinesa de Honan), onde viveu até a idade de 160 anos, quando, então, enojado com a hipocrisia e a decadência da época, decidiu-se a procurar a virtude em um ambiente mais natural. Vemos, portanto, que a data específica de nascimento de Lao Tzu é desconhecida desde que grande parte da sua vida e obra se baseia em lendas. É a Lao Tzu atribuída a autoria do "Tao-Te Ching" (tao-significando o modo de toda a vida; te-significando o ajuste de vida pelo homem; e ching-significando texto ou clássico).

Nem mesmo se tem certeza de que o verdadeiro nome do autor do Tao Te Ching haja sido Lao Tzu; e sim (Erh Dan Li). Lao Tzu seria apenas um apelido, não o seu nome real. Lao Tzu seria apenas de um título honorifico cujo significado seria "O Velho Mestre". Esta afirmativa tem como base um mito que diz que o termo "Velho Mestre" tem como base o fato dele haver nascido já com uma cabeleira branca, portanto, como um homem velho. Também se pode considerar que, no contexto de ensinar e aprender, a palavra "mestre" pode significar "O Estudante Velho" tal como na língua japonesa o nome "roshi" significa mestre de ensino de Zen.

Assim como o nascimento de Lao Tsé é envolto em certo grau de mistério, mais ainda a sua morte. Na verdade oficialmente nada mais se sabe dele após haver saído da China, mas há uma lenda que ele partiu da terra com a idade de 162 e transforma em um dragão.

Com certeza Lao Tsé viveu por muitos anos na China até que decidiu partir em direção a uma região que hoje constitui o Tibet. Foi nessa viagem que ele ao atravessar a fronteira da China, em Hank Pass, um guarda chamado Yin Xi (Yin Hsi), lembrou-lhe que possivelmente todos os seus ensinamentos logo cairiam no esquecimento se alguma coisa não ficasse gravada, e assim pediu-lhe que, antes de abandonar a China, deixasse alguns ensinamentos básicos registrados por escrito a fim de tudo aquilo que havia transmitido durante tantos anos não caísse no esquecimento, para que pelo menos em parte pudessem ser preservados para a posteridade. Lao Tzu, que antes jamais aceitara escrever os ensinamentos por admitir que a observação da natureza era um mestre bem mais confiável do que as palavras dos homens, mesmo assim resolveu atender ao pedido do guarda e redigiu numa colectânea de 81 versos a síntese de sua sabedoria.

SÍMBOLO DO TEI GI: A OBRA DE LAO TZU

De acordo com a lenda, Lao Tzu era um arquivista da corte imperial e que aos 80 anos deixou seu cargo e saiu da China triste e desiludido em direcção ao Tibete. Mas também há os que afirmam que o Tao Te Ching é apenas uma compilação de versos escritos por vários pensadores que genericamente usavam o título de Lao Tzu. Também existe afirmativa de que o Tao Te Ching provavelmente é uma compilação, ou antologia, de declarações de vários escritores e escolas de pensamento datando do 3º século a.C.

Coerentemente com a sua maneira de pensar ele não escreveu princípios doutrinários, e sim aforismos (versos) de forma tal que pudessem ser adaptados por qualquer pessoa ante diversas situações. Algo aplicável a tudo e a todos, um escrito de forma genérica e não especifica; um texto de natureza aberta que não possibilitasse uma forma textual capaz de ser desvirtuado intencionalmente, ou simplesmente ser deformado pelas traduções. Assim nasceu o fabuloso o Tao Te Ching, um livro de conhecimentos profundíssimos embora pouco volumoso desde que nele constam 81 aforismos em forma de versos, que mostram uma maneira de aplicação prática de se viver em harmonia, dentro do equilíbrio das polaridades da manifestação do TAO e simbolizada pelo Tei Gi.

Os aforismos que compõem os 81 versos são de uma simplicidade desconcertante e o que é bem especial, eles são adaptáveis a todas as actividades, a todos os lugares e a todas as épocas. Por esta razão é que existem centenas de interpretações, cada uma delas especialmente direccionada para um determinado campo de actividade. Por esta razão, de inicio o Tao Te Ching era uma obra destinada aos sábios, aos líderes políticos e aos governantes da China, mas, com o transcorrer dos séculos, tornou-se uma obra destinada a qualquer pessoa.

Pela razão exposta o Tao Te Ching é mais um texto de aplicação prática do que de ensinamentos doutrinários directos. Originalmente no Tao Te Ching foram usados cerca de 5.000 caracteres descrevendo o modo de funcionamento e a manifestação do poder presente no mundo.

No Extremo Oriente o Taoísmo é praticado sob duas formas: o Taoísmo Filosófico e o Taoísmo Religioso; cada uma estuda a natureza sob um ponto de vista próprio. Os Taoístas filosóficos vêem os ensinamentos do Tao apenas como um método de vida, como um guia para a vida buscando essencialmente achar a harmonia entre o ser com a natureza. Esta corrente acredita que se entendendo a harmonia da natureza é possível alterá-la mediante um processo alquímico.

A escola filosófica Taoísta tem suas raízes nos escritos do séc. XV e relacionadas com Lao Tsé. Após haver ensinado durante toda sua vida Lao Tzu estava decepcionado com o homem, que parecia não desejar seguir o caminho da divindade.[2]

Os Taoístas religiosos acreditam na existência de um lugar de grandes e pequenos deuses, estudam a natureza procurando encontrar formas de mudá-la (alquimia). Os Taoístas Religiosos desenvolveram complicadas cerimónias mágicas, e também algumas formas de artes marciais, práticas mágicas, sendo a mais popular aquela conhecida pelo nome de Bágua.

Na realidade o Taoísmo baseia-se num dos Princípios Herméticos, o Principio da Polaridade que diz ser a natureza bipolar, pois tudo nela tem um oposto. Na essência o universo conhecido é composto de componentes opostos; vezes físicos hard/soft; claro/escuro; vezes morais, bom / ruim; vezes biológicos, masculino/feminino. Etc. Tudo no universo pode ser classificado em duas polaridades Yang (pronuncia "yong") ou Yin.

Há muitos sentidos para o significado do nome Tao Te Ching. Um deles define o Tao Te Ching como "As Leis da Virtude e seus caminhos". Tao Te King, também escrito Tao Te Ching ( pronuncia-se: Dao Dê Jing ) significa: Ching ( livro, escrito, manuscrito), Tao ( Infinito, a Essência, a Consciência Invisível, o Insondável, o como, de como as coisas acontecem). Literalmente, portanto, significa "O livro de como as coisas funcionam" e na realidade é este o seu objectivo, mostrar como as coisas no universo funcionam segundo o Tao. Também significa "O Livro que Revela Deus" e "O livro que leva à Divindade".

Cita-se uma terceira obra atribuída a Lao-Tsé, a Chuang Tse, mas em nossos dias pouco se sabe do modo como ele apresentou o Taoísmo.

Uma indagação comumente feita diz respeito à diferença que existe entre o Taoísmo e o Confucionismo. O Taoísmo tem base metafísica e com aplicação prática. Confúcio foi mais um legislador, cujos ensinamentos ser direccionam mais para o aspecto político da vida.


CONFÚCIO
Qualquer verdade atribuída ao Taoísmo e ao Confucionismo tem que ser vistos lado a lado como duas formas distintas direccionadas às condições sociais, políticas e filosóficas da China. Enquanto o Confucionismo está muito relacionado às relações sociais, com a conduta e a sociedade humana, por sua vez o Taoísmo tem um carácter muito mais pessoal e místico.

Lao Tsé pelo que se sabe foi verdadeiramente um sábio conselheiro, razão pela qual atraiu muitos seguidores, embora sempre haja se recusado a fixar suas ideias por escrito, por acreditar que as palavras poderiam estabelecer algum dogma formal. Lao Tzu desejava que a sua filosofia permanecesse apenas como um modo natural de vida estabelecido sob uma base de bondade, serenidade e respeito. Assim ele não estabeleceu nenhum código rígido de comportamento, preferindo ensinar que a conduta de uma pessoa deve ser governada pelo instinto e pela consciência.


Lao Tsé ensinava que nenhuma tarefa deveria ser apressada, bastante, que tudo deve acontecer no seu devido tempo acreditava que a "simplicidade" era a chave para a verdade e a liberdade, assim encorajava seus seguidores para observarem mais a natureza do que aos ensinamentos de mestres; a observarem e entenderem as leis da natureza, a desenvolverem a intuição e a construir um poder pessoal a ser usado para se conduzir na vida com carinho e sem imposição da força. Pelos seus sábios conselhos atraiu muitos seguidores, mas recusava-se a fixar suas ideias por escrito por temer que as palavras pudessem ser convertidas em dogma formal. Primava para que a sua filosofia fosse mais um modo natural de vida com bondade, serenidade e respeito, do que um corpo de doutrina, por isto não estabeleceu nenhum código rígido de comportamento, acreditando que a conduta de uma pessoa deveria ser governada pelo instinto natural e pela consciência moral.

Disse Lao-Tsé: "Nas profundezas do Insondável jaz o Ser. Antes que o céu e a terra existissem, Já era o Ser. Imóvel, sem forma. O Vácuo, o Nada, berço de todos os Possíveis. Para além de palavra e pensamento está o Tao, origem sem nome nem forma, a Grandeza, a Fonte eternamente borbulhante: O ciclo do Ser e do Existir".

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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br

ANTÓNIO TELMO NA BIBLIOTECA DO GATO



RAUL PROENÇA E O ETERNO RETORNO


MIRCEA ELIADE E A HIPÓTESE VIBRATÓRIA



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À LUZ DA HIPÓTESE VIBRATÓRIA : REGIÕES ENERGÉTICAS NO MAPA DO COSMOS

3/8/1993 - 1 - À luz da Hipótese Vibratória, a história das religiões tem uma leitura radicalmente diferente daquela que tem sido feita até agora, por todos os exegetas, incluindo o maior de todos, Mircea Eliade. Ele fornece todos os dados conhecidos mas sem os interpretar à luz da hipótese vibratória e isso revela-se redutor. Para ele, como para todos os que fizeram a história dos símbolos e mitos, estes constituem «fruto da imaginação», mais ou menos delirante, mais ou menos ingénua, de egípcios, babilónicos, caldeus, sumérios, mesopotâmicos, aztecas, hebreus, mazdeístas, and so on.
À luz da Hipótese Vibratória, os mitos deixam de ser «fruto da imaginação» humana para serem descrições (aliás belas) de uma realidade, invisível mas realidade de facto, que eles - os povos citados -, ao contrário de nós, conheciam. São verdadeiros relatórios do invisível, os símbolos e mitos, as metáforas e alegorias, os sonhos e lendas. Mitos e mitologias são uma história de factos, simplesmente esses factos pertencem ao mundo do Invisível. E é por isso que Mircea Eliade, no seu maravilhoso ensaio «O Mito do Eterno Retorno», fala daqueles povos que traçaram do Cosmos um mapa tão completo como nós hoje temos uma Mapa da Terra. A história de lendas, mitos, símbolos, quando um dia, muito brevemente, for relida à luz da Hipótese Vibratória, revelará esse mapa luminoso, assinalando grandes e pequenos lagos, baías, cabos, ilhas, arquipélagos, países, regiões, penínsulas, caminhos, províncias do Céu estrelado. Estradas de Santiago e Estrelas Polares já são topónimos desse Mapa do Céu. Pouco tem a ver este mapa com o Mapa do Cosmos (aliás belíssimo) que hoje se desenha e publica para o público amante das viagens interespaciais.
Este «Cosmos» dos Carl Sagan, de facto, nada tem a ver com o Céu que nos descrevem as grandes tradições do Sagrado. Mas desde já e, pelo contrário, um esboço muito aproximado desse mapa do Céu são os diagramas da hierarquia cósmica (Céu, Terra, Inferno como refere Mircea Eliade) que os livros de Étienne Guillé tão belamente nos fornecem. Tal como escreve Mircea Eliade, «segundo as crenças dos mesopotâmicos, o Tigre tem o seu modelo na estrela Anunite e o Eufrates na estrela da Andorinha. Um texto sumério refere o «lugar das formas dos deuses», onde se encontram «os deuses dos rebanhos e dos cereais».
Também para os povos altaicos as montanhas têm um protótipo ideal no Céu. Os nomes dos lugares e «nomes» (antiga divisão egípcia) eram atribuídos de acordo com os «campos» celestes: primeiro conheciam-se os «campos celestes», que depois eram identificados na geografia terrestre.» Para traduzir esta abstracta realidade - a que deixámos de ter acesso directo, como se não nos dissesse respeito - o historiador Mircea Eliade utiliza nomes que são termos-chave da lógica terrestre quando quer entender e ler os fenómenos regidos pela lógica celeste: «protótipo», «arquétipo», «modelo», «holos», «áreas», «regiões» mas principalmente «campos», a palavra de interface que faz a transição do concreto para o energético: campos de força, campos magnéticos, campos quânticos, etc.
Interfaces do Sagrado/Profano são também palavras como «Cosmogonia», «Hierofania», «Teofania», «Teogonia», etc. Há, de facto, uma diferença radical no modo de ler a história das religiões, antes e depois da Hipótese Vibratória. À luz desta, as crenças arcaicas não são manifestações de primitivismo mas a linguagem perfeita para traduzir um conhecimento de factos (fenómenos) que, por invisíveis, nos escapam mas que esses povos arcaicos conheciam. E vai daí?
«O Mito do Eterno Retorno», que tem dado a volta à cabeça de filósofos como Nietzsche e Sant'anna Dionísio, surge como um facto real quase banalizado, se atentarmos no diagrama ou mapa celeste das eras zodiacais. De facto e à escala de 48 milhões de anos - um ano cósmico... - a criação é circular. Voltamos ao mesmo ponto, todos os 48 milhões de anos, tal como voltamos ao mesmo ponto todos os solstícios e equinócios, tal como voltamos ao mesmo ponto todas as manhãs...
[ O «ano cósmico» de 48 milhões de anos referido pela tradição hindú difere bastante do ano cósmico, ano platónico ou zep-tepi que nos indica a tradição iniciática egípcia.]

Ainda a propósito do ensaio de Mircea Eliade: as ficções, no sentido de invenções de coisas que nunca existiram, são de facto uma criação do romanesco moderno, tempo e mundo de fantasmas, histórias de fantasmas para seres humanos-fantasma, quer dizer, desligados da sua existência cósmica. O Romanesco como ficção é um fenómeno moderno, recente, pequenino e vai desaparecer como tudo o que engorda o Poder e o Poder manipula.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

EDOUARD SCHURÉ: O EQUÍVOCO

DEMOCRATIZAR A VIA INICIÁTICA

Por força que o iniciado tem que ser um notável. O livro de Edouard Schuré – «Os Grandes Iniciados» – ajudou a estabelecer esse equívoco, até porque está cheio de muita palha e pouco, muito pouco grão.
Além dos grandes iniciados – Buda, Maomé, Jesus, Krisna, - é suposto ter havido os pequenos.
Mas esse equívoco desincentiva qualquer pedagogia ou filosofia que se oriente no sentido iniciático da vida.
Que, diga-se, devia ser incentivado desde a escola primária.

RENÉE-PAULE GUILLOT: OS PRODÍGIOS DE CRISTO



apdn-4> autoterapia –Revisão:terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

A CIÊNCIA DOS PRODÍGIOS (*)

CRISTO INICIADO

Lisboa, 2/12/ 1996 - Os prodígios atribuídos a Cristo - multiplicação dos pães, transformar água em vinho, acalmar o mar, curar o leproso, dar vista ao cego, andar sobre o mar, etc - falam, aos crentes, de uma figura com dons excepcionais e, portanto, divinos.
Para o não crente mas (apenas) estudioso da ciência das energias (Noologia) , os prodígios de Cristo remetem-no para a escola iniciática onde aprendeu - os Essénios - e estes remetem-nos para a fonte hermética, os hierofantes egípcios.
Embora a propaganda pró-hinduísta, na sua tarefa de contra-informação permanente, tenha posto a circular que Cristo esteve na Índia - pretendendo insinuar que aprendeu lá os prodígios - a verdade é que Cristo esteve ligado aos essénios e é nos essénios que deveremos enquadrar a actividade de Cristo, nomeadamente a sua actividade sobrenatural ou milagreira.
Eduardo Schuré incluiu logo Cristo na sua galeria de «grandes iniciados» e, desde aí, a iniciação passou a ser coisa só para «grandes homens», «grandes mestres». A mitologia espalhou-se e continua mais instalada do que nunca.
No seio das ciências sagradas e no direito humano de acesso a elas, não faltam a contra-informação e os atrasos de vida.
Menos numerosos mas também bastante badalados, os prodígios de Moisés - transformar a bengala em serpente, separar as águas do Jordão, abrir uma fonte no deserto - apontam igualmente para a Magia egípcia dos hierofantes, onde sabemos que ele aprendeu.
Nada de mais. O seu a seu dono.
Se os hierofantes são, como tudo leva a crer, iniciados de 1ª linha - outros se podem enunciar:
Bramanes
Epidaurus (sacerdotes de)
Esculápios
Pitonisas
Peripatéticos
Sibilas

Na história de Portugal, tão pouco dada a prodígios, sublinham-se 3 casos «prodigiosos» :
a) Rainha Santa Isabel que faz brotar rosas do regaço
b) Sto António que prega aos peixes
c) E, é claro, Nossa Senhora de Fátima que aparece aos pastorinhos

Todos estes fenómenos, que os crentes não gostam de incluir na lenda e no mito, relevam , como se sabe, de uma das 12 ciências sagradas - a Magia - e provam 2 coisas:
a) A Magia sempre existiu
b) A Magia sofreu, como todas as outras 12 ciências sagradas, um processo de decadência e aviltamento
c) Dessa decadência é sinal patético tudo o que hoje se faz em matéria de exploração do maravilhoso, do prodigioso.
Dar ao maravilhoso o estatuto (outra vez) de ciência sagrada que já foi - eis o objectivo da Noologia.
Uma das imagens que correm entre os praticantes modernos de Reiki, é a de Cristo impondo as mãos a um doente.
Atrair as grandes figuras à nossa causa é sempre conveniente.
A imposição de mãos coloca alguns problemas e bom seria que fosse respeitada uma «ética» de procedimentos nesse domínio.
O problema filosófico mais interessante que ressalta no estudo dos prodígios é, de certo, a ambiguidade sobre a origem e natureza das energias que actuam no «milagre».
É então o momento de se ouvirem acusações mútuas: para uns, são obras de Deus (da Virgem Santíssima, do Santo António, etc) para outros são obras do Satanás.
De um ponto de vista neutro - o da Noologia - provavelmente são as duas coisas e dado que um dos postulados da Noologia - a existência de 2 cosmos - se verifica aí com particular nitidez.
Não é por acaso que uma das ciências auxiliares das 12 ciências sagradas é a Diabologia.
O fenómeno mágico caracteriza-se por uma estrutural ambiguidade que (lhe) advém exactamente da sua génese: 2 forças contrárias e complementares se encontram em jogo e o fenómeno só ocorre quando, verificada a lei da ressonância vibratória - momento, lugar, estado - a função emergente se lhe sucede.
Nos textos que relatam «prodígios», há palavras que aparecem com mais frequência e que podem corresponder a um maior ou menor conteúdo noológico. Compete ao estudioso decidir a percentagem de autenticidade que carregam consigo palavras tais como :
curador
curandeiro
cura extraordinária
cura milagrosa
cura magnética
fluido magnético
imposição de mãos
Impostores
magnetismo terrestre
respiração mágica
sugestão hipnótica
varinha mágica
Se é de prodígios hinduístas que nos falam, o cenário muda apenas um pouco (mas não muito) :
andar sobre estilhaços de vidro
balouçar-se com um gancho de ferro enterrado nos músculos das costas
dançar sobre carvões em brasa
Alguns destes prodígios são filmados por Arthur C. Clarke na sua série de 6 vídeos intitulados «Os Arquivos de Arthur C. Clarke», vídeos que, embora de medíocre qualidade, dão um panorama interessante de como um cientista se espanta perante os fenómenos espantosos que a ciência não compreende... e nunca quis compreender.
A «sugestão» é o cavalo de batalha mais largamente usado pela medicina ordinária contra as curas «espontâneas».
Ajudou muito a medicina , nesse propósito de desvalorizar a cura energética, o trabalho de um senhor médico famoso, Émile Coué, segundo o qual o que faz a cura é a imaginação (autosugestão) e a força do mental.
Daqui ao transe hipnótico manipulatório é um passo: o que faz do processo de Coué uma técnica pouco desejável à luz da Noologia.
Magneto-hipnótico
medium
radiação sideral
radiação telúrica
radiação cósmica
radão
sonambulismo:
Levou seu tempo para que a ciência ( medicina ) ordinária considerasse a palavra «electricidade». E todo o mundo rejubilou quando os ciberneticistas (Wiener, Fessard, Nagkler, Berger) , em combinação com Pavlov e os pavlovianos, tomaram o cérebro como rede de circuitos e sinais eléctricos incessantes.
Mais ou menos na mesma altura, a Psiquiatria, nazi-fascista como sempre foi, estava no auge dos «choques eléctricos». É então que surgem algumas palavras -chave da Noologia:
Circuitos de Ondas
Homeostase
Ondas bio-eléctricas
Impulsos (pulsações)

O autor de «Milagre e Fé na Cura»(*) relata várias peripécias no campo dos fenómenos «anormais» mas não entra na telenovela mais recente que se chama Parapsicologia.
No processo de sucessiva e consecutiva decadência sofrida pela Magia como ciência sagrada, a chamada «Parapsicologia Científica» consegue ir ainda mais longe nessa decadência. Mas também a «Psicologia Transpessoal» e a «Teoria do Caos» e outros surtos de brotoeja que a religião da ciência põe ao dispor das massas, ganhando com isso umas massas.
O menos que a Noologia poderá dizer destas proezas sobre prodígios é de que o reinado deles está a findar.
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(*) Dr. Fred Wachsmann - «Medicina e Fé na Cura - Estudo Clínico do Misterioso Poder dos Curadores» - Lisboa, 1953

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

ÉTIENNE GUILLÉ: O HOMEM ENTRE O CÉU E A TERRA



1-5-autot-4> relendo etienne guillé – diário de uma descoberta

O QUE OS SEMINÁRIOS INTERCALARES NUNCA EXPLICARAM

+ 17 PONTOS

30/9/1994
- 1 - O novo livro de Étienne Guillé, «L'Homme entre Ciel et Terre», vem aclarar uma grande zona do seu próprio ensinamento que se tornara muito obscura e confusa através dos seus divulgadores em Portugal. De facto, à excepção de Patricia Kerviel, que, nos seminários, tem apresentado um discurso coerente e articulado, sem fissuras nem vazios nem zonas obscuras, todos os outros, ao retomar o ensinamento de Guillé, complicam mais do que explicam, obscurecem em vez de esclarecer. Os seminários - à excepção dos que a Patricia ministra - em vez de traduzirem a experiência pessoal e integrada dos monitores, são apenas transcrições verbais (e de ouvido) de muitos dos esquemas de Étienne, sem que o aluno consiga articular as diferentes peças que lhe aparecem desligadas.
2 - Por exemplo: os vários postulados do mundo vibratório, apresentados pelos nossos seminaristas, nunca se sabe porque aparecem e de onde aparecem: se há uma hierarquia de níveis vibratórios, porque são 14 e não outro número? Como se encaixam as pirâmides e porquê? As pirâmides têm existência real ou são apenas uma metáfora? Quando surge a hipótese das pirâmides, que se deve fazer à hipótese do ovo cósmico e das esferas energéticas nele encaixadas? Como se ligam uma à outra ou não se ligam? Que crédito dar à escala das energias apresentada no diagrama de Jean Noel Kerviel e que Étienne Guillé não apresenta em nenhum dos seus livros? Que crédito dar à classificação de energias nocivas e energias negativas? Porque têm as energias nomes tão heteróclitos? Porque se fala de energia do escaravelho de ouro, ou da esfinge, ou de Képer-Re - conotando claramente a fonte informativa na tradição egípcia - mas logo depois se fala da energia da pedra filosofal e das energias em X negativo ou das energias de magia negra ou das de ordem negra, ou das energias do agente secreto...
Há momentos em que esta variedade de nomenclaturas parece um catálogo. Deveria sempre assinalar-se a fonte cultural de onde emana cada designação: aliás, a situação histórica - no tempo e no espaço - de cada um dos conceitos explanados, era o mínimo que se podia esperar dos seminários, já que a construção filosófica de todo o processo se encontra exposta de maneira inultrapassável nos livros de Étienne e nos seminários da Patricia.
3 - Prosseguindo a grande balbúrdia em que se transformou, com tanta lição, o mundo vibratório descoberto por Étienne Guillé, passemos, por exemplo, à panóplia dos canais cósmicos: Jean Noel Kerviel, fala em 17 (porquê 17?), mas insiste-se particularmente naquele que se «virou», em 26 de Agosto de 1983: também ninguém até hoje explicou como e porque foi obtida essa data, nem o que é isso de uma viragem cósmica. Assim como ninguém até hoje nos traduziu correctamente o «renversement». Em matéria de traduções, então, é uma lista de palavras que continuamos sem saber o que são.
5 - Ninguém explicou, por exemplo, como foi obtido o quadro das eras zodiacais e respectivas frequências vibratórias, assim como ninguém ainda explicou o que é isso verdadeiramente de «frequência vibratória» e que diferença existe entre vibração de base decimal e vibração de base Fi. O Fi, aliás, foi motivo de uma cena, em pleno Hotel da Lapa, que nem vale a pena descrever, de tal modo foi indescritível. Pela parte que me toca, continuo sem saber o que é o Fi - outra noção fundamental - assim como o que são algumas das noções consideradas cruciais neste método. O facto de querermos ter acesso ao espaço tempo transcendente - dizem-nos - não significa que continuemos a respeitar as leis da lógica que regem o espaço-tempo linear. Enfim, como iniciação sistemática à estupidificação mental, parece que não há melhor receita do que a radiestesia.
6 - Os esquemas e diagramas sobre o mundo vibratório apresentados por Étienne Guillé e por Jean Noel Kerviel, podem ser puramente imaginários mas, até agora, ninguém aclarou se são ou não são. Mesmo apenas como artifícios didácticos, a verdade é que são úteis e organizam hierarquicamente o mundo das energias subtis e nomeiam as várias formas, espécies e sub-espécies de energia, permitindo uma abordagem que até agora se fazia na mais completa abstracção. Curiosamente, porém, estes diagramas com as escalas hierárquicas não figuram nos livros de Guillé. Antes deste método, só a Macrobiótica - com a distinção entre yin e yang - e a acupunctura nos davam quadros relativamente minuciosos dessas energias: os pontos de acupunctura e os meridianos eram, até agora, o único mapa à nossa disposição para viajar no meandroso e invisível mundo das energias. O quadro proposto por Étienne Guillé e Jean Noel Kerviel, tem a vantagem de estar mais perto da nomenclatura europeia e das tradições de que nos encontramos cultural e geograficamente mais perto.
6 - Penso que há vantagem em vencer as possíveis relutâncias relativamente à nomenclatura usada por Étienne: no fundo, veremos que energias de escaravelho de ouro, energias da pedra filosofal, energias da anti-pedra filosofal, energias da esfinge, energias de magia negra, energias de agente secreto, energias da aliança com Elohim, energias de x negativo, anjos e arcanjos, alma divina e alma espiritual, são nomes, apenas nomes, sem qualquer conotação religiosa com os sistemas de onde porventura foram tiradas. Perante a grelha vibratória dos metais, o que importa mesmo é a ressonância vibratória de cada estrutura, de cada palavra: e essa é inteiramente objectiva, independentemente da conotação semântica das palavras.
7 - Poderemos concluir, no capítulo sobre o mundo vibratório, que a démarche alquímica, apesar de tudo, não é tudo mas é o princípio - a base molecular - de tudo, e que ela ocorre ainda no mundo negativo. Mas nunca se percebeu muito bem, ao longo de todo este tempo, o que é isso do mundo negativo, e se tem alguma coisa a ver ou não com o mundo da manifestação, o mundo da incarnação e o mundo transcendental, mais um triunvirato que não sabemos muito bem porque surge, como surge e porque se chama assim. Ou antes: este, até percebemos, a partir do momento em que (finalmente) a Patricia decidiu explicar que a grelha universal era a projecção, no plano, da quádrupla pirâmide da existência. Assim, lá conseguimos saber porque aparecia a grelha...
8 - A alquimia não é tudo neste método mas inicia uma sequência (hierarquia) de 12 ciências, que virá a culminar na Teurgia ou ciência de deus, passando entretanto pela Magia, Astrologia, Numerologia, Kaballah, (ver lista de ciências no seminário de Patricia Kerviel). O que era, no opúsculo de Jean Noel Kerviel, «Recherche de la Pierre Philosophale», a técnica para a procura e obtenção da pedra filosofal, restrito portanto à alquimia, vai-se deslocando, nas ulteriores obras de Étienne Guillé e no discurso de Patricia, para a mais vasta demanda do Graal, mito eterno de todos os mitos. Esta noção das 12 ciências sagradas, como bonecas russas metidas umas nas outras, imagem proposta por Patricia, é fácil de apreender e por isso serve de boa base a uma compreensão da dinâmica que nos é proposta aos saltos e em constante ziz-zag pelos outros monitores.
9 - Se os seminários intercalares fossem aproveitados a mostrar como se fazem transferts bem feitos, talvez fosse mais proveitoso para todos: a filosofia, de facto, e os diagramas das energias, bem nos basta o que Étienne vai contando. Aliás, a melhor forma de conduzir os seminários é cada um falar apenas daquilo que na sua prática quotidiana já integrou, aqueles pontos em que fez emergência com qualquer outro oposto e complementar, seja ele um autor, um livro, uma página, um pensamento, uma palavra que porventura o interpela.
10 - Claro que há respostas feitas para continuar justificando este método de trabalho sem método nenhum: estamos no espaço tempo transcendente - dizem-nos - e aí tudo é permitido; trata-se - dizem-nos - de conquistar o continente perdido do inconsciente e aí tudo fala a linguagem irracional dos sonhos; é preciso - dizem-nos - primeiro aumentar o nível vibratório para compreender determinadas noções; temos de aguentar stress atrás de stresses para poder «evoluir» e aumentar o nosso nível vibratório; lá mais pra diante logo percebemos; isto não é lógico e temos que perder essa mania de querer lógica em tudo; não podem fazer transferts porque ainda não estão preparados; a alimentação não tem importância nenhuma(?), porque tudo se passa ao nível das energias vibratórias; o alargamento da consciência é ao nível do inconsciente e portanto todos os progressos são, por definição, inconscientes;
11 - Depois é o jogo sobre o gume do contraditório: é perigoso fazer transferts mas há que ser ousado; não devemos trabalhar com a grelha provisória mas convidam-nos a fazer testes com a grelha provisória; nada disto é para decorar (mas a maior parte das noções, como não são explicáveis nem compreensíveis, são mesmo e só para decorar)
12 - Perante esta caótico quadro que nos tem sido mostrado - a pretexto de que se trata de um puzzle - cada um tem de procurar maneira de reorganizar os dados - tão baralhados - e reordená-los. Pela parte que me toca, tentei as listas alfabéticas de vocábulos, que me parece um exercício de ordenamento possível no meio da total desordem de nomenclatura. A pretexto, claro, de que o verdadeiro conhecimento é ao nível (do) inconsciente e de que não podemos constatar progressos ao nível do raciocínio lógico. Que este método é diferente e aponta para uma viragem total nos métodos tradicionais de transmitir a informação, não há dúvida: mas por isso mesmo é que necessita de novas formas de reordenamento, já que não é possível caminhar na anarquia. Aliás, como nos disse a Maria, em Abril de 1993, a ordem, o ritmo e o movimento, são indispensáveis a todo o trabalho alquímico. Talvez não fosse mau começar pelo princípio, ou seja, pelo ritmo, movimento e ordem na própria intercomunicação da informação.
13 - Informação é palavra-chave neste trabalho da Gnose Vibratória. E quando se fala de informação, subentende-se informação energética. Por isso Entropia/Neguentropia, são duas outras palavras-chave. E quando começa a listar-se as várias formas de energia, tudo continua a ser claro: mesmo quando se topa a energia do enxofre, a energia do mercúrio e a energia do sal, tudo é ainda claro se pensarmos que, com estes nomes, existem o metal Enxofre, o metal Mercúrio e o Metal Sal. Mas Metal é uma coisa e princípio filosófico é outra. Também não está escrito nem claro se princípio filosófico é o mesmo que princípio alquímico, mas tudo indica que sim. Enfim, estamos perante uma das respostas feitas mais frequentes com que nos brindam: os célebres «vários níveis de leitura» ou, mais modestamente, os «três níveis de leitura»: mal a gente julga que está a interpretar uma palavra assim, logo nos dizem que é assado, que isso é apenas um nível de leitura e que há que passar a outro nível ou outros níveis de leitura. A instabilidade reina neste reino. E é tudo em nome da complexidade do método.
14 - Reina também grande ambiguidade quanto aos perigos potenciais do trabalho com o Pêndulo, do trabalho com as energias: tão depressa se diz que a grelha é uma protecção, como se diz que se pode cometer «falta contra o espírito santo» com a maior das facilidades. Na definição do Poder, também nunca se sabe nada de concreto: ora o Poder é a origem de todo o Mal, ora se aponta o assistanato como uma situação deplorável em que se encontra o ser humano. Aliás, reina também a maior falta de transparência quanto ao direito que cada um tem ou não tem de ganhar poder espiritual, exactamente para combater o assistanato. O ser humano encontra-se em assistanato - e sob chantagiato permanente do Poder - porque se deixou despossuir de tudo o que eram as suas capacidades, forças, energias, potencialidades. E bem se pode dizer que é uma das subtilezas de MAGA. Nesse aspecto, dois anos de seminários - ao preço global de 250 contos - deixaram-me mais desapossado, mais frágil, mais entregue à bicharada médica e ao assistanato, que os nosso seminaristas tanto verberam, e com toda a razão: o assistanato obsceno a que estamos submetidos nesta podre sociedade de consumo, foi um dos motivos que me levou ao estudo intensivo da Gnose Vibratória. No entanto, dois anos após, o que eu continuo a saber é que ainda é cedo para fazer transfert, para dar consultas, para, para. E, portanto, terei de continuar, em cada nova crise, a ir correndo para o terapeuta, para a consulta do terapeuta, claro. Assistanato? Temos que tomar mais cuidado nas palavras que usamos e nas críticas que fazemos. Porque não podemos censurar o assistanato e prorrogar com o nosso procedimento esse assistanato.
15 - Fazem-se afirmações que, por serem polémicas, não podem ser feitas com tanta ligeireza e necessitariam de uma mais demorada explicação:
«Informação do Cancro é uma informação Cósmica»: esta afirmação pode desencadear uma cascata de perguntas, tais como: mas só do cancro é que existe informação cósmica? Se tudo o que está no micro está no macrocosmos, todas as doenças, incluindo a da estupidez humana - que é endémica - está no micro e está no macrocosmos, logo é uma informação cósmica.
«Cancro é uma doença iniciática» - diz-se: Mas doenças iniciáticas são todas, porque todas são stresses que a providência nos faculta para evoluirmos...
«Existem dois cosmos» - dizem-nos: é evidente que afirmações como esta têm que ser minimamente fundamentadas; e talvez não fosse má ideia aproveitar os intercalares a fundamentar afirmações como esta.
«Descodificar a mensagem da esfinge» - dizem-nos: sendo alfa e ómega deste método, a mensagem da esfinge também não pode ser abordada com a ligeireza com que tem sido feito; importante, nos seminários intercalares e nas salas de estudo, é distinguir as grandes, das pequenas e das médias questões, pelo menos.
Outros exemplos de afirmações a fundamentar e a explicar com mais cuidado e rigor: «Não é o Espírito que desce a nós, somos nós que subimos ao Espírito».
«Não há cura sem amor»
15 - «Justiça e Verdade» é um princípio muito citado nos nossos estudos. Mas nem sempre, nas relações inter-disciplinares, a justiça e a verdade reinam. Isto sem falar da humildade, que tanto nos recomendam. Às vezes não vejo onde esteja a humildade, mas deve ser miopia minha. De qualquer maneira, fala-se de coisas das quais se sabe o que são. Também a palavra evolução, tanta vezes usada, é perceptível, bem como a palavra «potencialidades». Claro é também quando nos falam de desestruturação e reestruturação, ou das três fases que a matéria (MA) pode sofrer: MA condensado, MA sublimado, MA sublimado e rematerializado. O facto de a linguagem vibratória vir um dia a dispensar a linguagem verbal - argumento que nos é muitas vezes atirado como quem dá osso a cão - não significa que não continuemos a ter necessidade de usar as palavras para nos exprimirmos: e a verdade é que todos os nossos monitores as usam: portanto, talvez não fosse má ideia que todas as palavras se esclarecessem e soubéssemos do que estamos falando quando falamos disto ou daquilo. Ou seja: o vocabulário/dicionário essencial que eu venho propondo, desde o primeiro dia, talvez fosse um belo trabalho para realizar em equipa e com a participação de vários interessados. Para já, o que existe lançado em computador, com remissa para os livros respectivos, é o vocabulário ocorrente nos 4 livros de Étienne Guillé e no livro de Jean Noel Kerviel. Penso que é um trabalho útil - que me consumiu muitas dezenas de horas - e que deveria ser colocado ao serviço de todos os que estudam este método.
16 - Falam-nos de Fogo e pouco ou nada nos explicam do que se entende, em Gnose Vibratória, por Fogo. É que se trata, aqui, de uma aquisição que nos vem, não da fonte egípcia, mas da fonte chinesa, do esquema chinês dos 5 elementos. A complicar a questão, há também o esquema da astrologia medieval, que fala em Fogo. E, claro, o sentido literal de Fogo, que também não sempre tão literal como isso. Há, inclusive, uma mitologia do Fogo e Gaston Bachelard teve o topete de escrever um livro sobre «a Metafísica do Fogo». Nunca sabemos, portanto, dessas mil acepções de Fogo, qual é aquela de que se fala quando se fala de Fogo, em Gnose Vibratória. Se é o Fogo dos cinco elementos chineses, então convinha que se esclarecesse também quando e como devem ser chamados ao limiar do nosso trabalho os restantes elementos: Terra, Metal, Água, Madeira. No entanto, os nossos terapeutas usam essas categorias na sua prática diária, pelo que deverão ser ideias básicas de extrema importância, a estudar minuciosamente desde já. À parte a vergonhosa - por insignificante - referência que à Acupunctura lhes fez Jean Noel Kerviel, em seminário do Hotel da Lapa, nunca esses elementos voltaram a ser matéria de ensino opu sequer de referência. Como não ver nisto uma vaga intenção de escamotear aquilo que é informação fundamental para a prática terapêutica? Como não ver nisto mais uma prova a juntar às declarações bem claras de Jean Noel, de que neste curso não se davam diplomas nem se formavam terapeutas? E ele não se esqueceu de avisar de que não era por receio de ter muitos concorrentes, pois graças a deus clientela era o que não lhe faltava.
17 - Questão pouco esclarecida é a das frequências vibratórias. E, no entanto, é a noção-chave do DNA, que por sua vez é a fórmula-chave de todo o trabalho da gnose vibratória. Por exemplo: diz-se que a Era dos Peixes vibra em frequências baixas, de base decimal, enquanto a Era do Aquário vibra em frequências elevadas de base Fi. Além de não se perceberem hierarquias num método que nos dizem não ter hierarquias, também nunca ficou claro o que é a base decimal e o que é a base Fi. Mas também nunca foi dito o que tem a ver a Era dos Peixes com o MAGA GAU GAS: se são apenas contemporâneos ( duas desgraças ao mesmo tempo), se há uma relação de causa e feito ou se não têm nada a ver um com o outro.
Quando nos prometem a Nova Idade de Ouro, que relação tem com a Era de Aquário? Umas vezes dizem-nos que tem, outras dizem-nos que não tem.
Atlântida e Lemúria foram o princípio da decadência ou não? Antes ou depois da Queda: mas em termos de tempo - tempo Cronos - quando é que foi isso tudo? Não seria interessante, quando se fala em escalas tão remotas, situar + ou - o século em que se situam as várias fases dessa escala?■

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

MICHAEL GROSSO: A ETERNIDADE AGORA?


1-2- eternidade-2-pa> quinta-feira, 21 de Agosto de 2008 *****


SENSORIALISMO E MULTI-SENSORIALISMO EM MICHAEL GROSSO

1.
Ao questionar a maior de todas as evidências e o postulado de todos os postulados e o axioma mais axiomático – a Eternidade – os livros científicos e paracientíficos que tratam de um «além vida» tornam-se, além de enfadonhos, a demonstração cabal de que a investigação materialista do Espírito (de uma área da realidade a que podemos e devemos, com toda a propriedade, chamar Espírito) é um equívoco, um buraco sem saída e não leva a parte nenhuma.
Psicólogos e parapsicólogos são, de facto, a melhor prova de que o materialismo não só nos meteu num beco sem saída como se mostra incapaz de sair dele. Um bom exemplo é o livro de Michael Grosso, doutor em Filosofia pela Universidade de Columbia, intitulado «Viver o Próximo Mundo Agora» (Ed. Sinais de Fogo, Lisboa, Junho de 2006).
A única conclusão interessante a retirar destas enfadonhas 350 páginas é a de que, quando próximo da morte física, todos se mostram contentes e alegres como se olhassem a plenitude (o autor fala de êxtase, palavra errada para dizer o que ele quer) .
Os alquimistas sabem que, ao morrer, o ser humano vibra «pedra filosofal»: talvez seja isso aquilo a que a psicologia chama «êxtase» e «beatitude».
O sensorialismo das experiências narradas por estes investigadores não podem dar grandes resultados nem demonstrar a existência de outra vida: que aliás não precisa de ser demonstrada mas apenas mostrada.
Porque a «outra vida» está exactamente para além dos cinco sentidos da nossa incarnação em que nunca cultivámos os outros sete.
Se somos um ser trinitário – corpo, alma e espírito;
Se o nosso potencial energético é de N56 e nunca vamos além do N8
Se temos 7 sentidos potenciais além dos cinco manifestados
Se foi o Espírito a criar todas as formas ( e não as formas a exalar o Espírito)
Se é o Infinito a explicar o Finito (e não o inverso)
Se o Microcosmos (Genoma/ADN) é o espelho do Macrocosmos (e vice-versa)
Se tudo está provado e comprovado desde os egípcios, desde os mayas, desde os taoístas, porque havemos de ter que pedir à ciência – e à ciência que exclui tudo isso e ainda se ri por cima – que prove tudo isso?
Se a ciências apenas tem instrumentos de medida , detecção e controle das energias do espectro electro-magnético, como poderá a ciência alguma vez medir, detectar, nomear e conhecer as energias que ficam aquém e além do espectro electromagnético, a zona do real e do continuum energético onde reside a eternidade e a que a ciência, na melhor das hipóteses, chama área quântica das energias?
Como é que o limitado pode conhecer o ilimitado?
Como é que o finito pode conhecer o infinito?
Entre a teoria científica e a crença religiosa, de facto, existe a zona da Certeza. Da Evidência. Dos Postulados de Base. Dos Axiomas. Para lá dos cinco sentidos e do materialismo científico girando sobre si próprio ... até à Eternidade.

2.
Para os novos psicólogos e parapsicólogos, que decidiram avançar em áreas antes proibidas pela ciência, «aparições», «fantasmas» e «assombrações» seriam uma «prova» da existência de outra vida.
São vários disparates num só: ter visões é, pura e simplesmente, uma patologia e não um dom visionário, uma patologia a que a medicina tradicional chinesa chama falta de energia wei ou energia defensiva.
Ao nível de um sensorialismo primário, visões, fantasmas e assombrações (os chamados fenómenos paranormais ou parapsicológicos) têm a ver com o corpo físico e nada têm a ver com a Alma e muito menos com o Espírito.
Manipular sensorialmente a «alma» dos mortos – só para demonstrar que a alma existe e persiste para lá da morte física – parece-nos, no mínimo, desnecessário e um pouco peripatético. E algo doentio. E pouco ético.

3.
É o próprio Michael Grosso que confirma todo este sensorialismo em passagens como esta do seu discurso: «Os espíritos vêm com todas as cores e sabores e as assombrações são multi-sensoriais: fortes estrondos, sussurros, gemidos, risos, passos; cheiram bem ou mal; iluminações estranhas; sensação de frio; mãos que se sentem mas não se vêem ou que são vista mas não são sentidas; objectos que surgem, objectos que se deslocam. Aparece todo o tipo de malandros.»
(in «Viver o Próximo Mundo Agora»,Ed. Sinais de Fogo, Lisboa, Junho de 2006, página 83).

ALAN WEISMAN: QUANDO O CÍRCULO É UMA ESPIRAL


QUANDO O CÍRCULO É UMA ESPIRAL

Acabo de ler na Ambio a estimulante mensagem de José Carlos Marques sobre o livro «Homo Disparitus» de Alan Weisman, edição Flammarion e a sinopse que ele cita feita no «Le Monde» (15/Maio/2007).
Esses dados são bastante plausíveis, verosímeis e prováveis. Mas talvez estejamos a tempo de evitar o inevitável e de mudar a linha de viragem.
São dados bastante próximos dos que eu recolhi nos apontamentos que por aqui tenho das fontes egípcias e mayas, dados que me chegaram, inesperadamente, através de um canal que não me atrevo a citar.
Tentarei resumir:
1. A data de 21 de Dezembro de 2012 (apontada no calendário maya) é uma data provável (mais do que provável) para o acontecimento dessas «coisas terríveis» que citas na tua mensagem. De qualquer maneira é data provável para o clímax de acontecimentos à escala global que já há décadas vêm ocorrendo num crescendo logarítmico.
2. E porquê? Apenas porque, segundo a lei invariável que os astrónomos modernos conhecem e a que chamaram a «precessão dos equinócios», essa data é «simétrica» daquela em que ocorreu o dilúvio (10.940 anos antes de Cristo) e respectiva queda da civilização atlante (vulgarmente conhecida por Atlântida, desde que Platão a popularizou).
3. Sem diagramas é um bocado difícil explicitar essa «simetria» mas vou tentar: desenhemos um círculo – chamado exactamente o círculo ou ciclo cósmico dos 12 signos zodiacais (relacionados com as 12 estrelas ou constelações circum-polares de que obtêm os nomes). O Movimento da Terra à volta do sol – o movimento de translação que todos aprendemos na primária – leva exactamente 25.920 anos para voltar ao mesmo ponto do círculo zodiacal. Os sacerdotes egípcios das escolas de Mistérios (hierofantes) chamaram-lhe ano cósmico ou Zep-Tepi.
4. O que vai acontecer, pura e simplesmente, em 21 de Dezembro de 2012, é que estaremos exactamente no ponto oposto (do círculo) ao da data do dilúvio, há 12.960 anos, logicamente metade do ano cósmico (25.920 anos).
5. Se continuarmos a partir do centro do círculo o raio correspondente à data em que ocorreu o dilúvio (queda da Civilização atlante) até ao raio que corresponde à data de 21 de Dezembro de 2012 (a tal simetria em que te falei) teremos condições cósmicas idênticas e portanto 99,9 % de probabilidades de acontecer a tal viragem, cataclismo ou transmutação de todas as estruturas, especialmente as mais subtis, de tudo o que vive no Planeta Terra.
6. O 1% restante é a Grande Esperança e nela cabem os dados experimentais adquiridos a partir de 26 de Agosto de 1983, pela equipa de Etienne Guillé, trabalho que tem coligido todos os dados vibratórios sobre a evolução cósmica até hoje.
7. Está agora tudo desocultado, explicado e ao alcance de todas as cabeças e bolsas, sobre a evolução cósmica em curso e em interacção com a evolução do Planeta e de todos os seres sensíveis que o habitam. Chamei a isto a «democracia» do saber, uma das características que nos diferenciam do que acontecia há 12.960 anos: ou seja, o círculo zodiacal não é um círculo fechado e perfeito, é uma espiral, comparável à das Galáxias e, de 25.920 anos em 25.920 anos, abre mais um grau que talvez seja o 1% da Grande Esperança.
8. Experimentalmente há outros motivos que reforçam essa Grande Esperança mas apenas estou em condições de citar um (do qual aliás todos os outros dependem): em 26 de Agosto de 1983, nasceu um novo Canal Cósmico – designado em linguagem vibratória de base molecular MEAI GAO GOC (Cosmos 1 em linguagem vulgar) e MAGA GAO GAS (Cosmos 2 em linguagem vulgar).
9. Este «novo» Canal Cósmico (MEAI GAO GOC) pode ser associado à chamada Era do Aquário mas não é a mesma coisa: haverá provavelmente pontos coincidentes. Se estivéssemos apenas a entrar na Era do Aquário (hoje tão vulgarizada e popularizada) provavelmente nem 1% de esperança poderíamos ter. Acrescentarei apenas que MEAI é a tradução invariável e exacta da palavra AMOR semanticamente tão variável e vaga.
10. Mesmo que tivéssemos uma remake do 1º dilúvio universal, dar-se-ia o que aconteceu então: as pedras do Egipto (pirâmides & templos) ficariam para recomeçar tudo de novo, a partir não de zero mas da Esfinge. Não é assim tão facilmente que a Terra se poderá livrar de nós (que viemos das estrelas) nem nós da Terra.